2018

11ª Bienal do Mercosul

curador

Alfons Hug

Sob o título Triângulo do Atlãntico, a 11ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul tem curadoria de Alfons Hug e Paula Borghi e pretende lançar um olhar sobre o triângulo que, há mais de 500 anos, interliga os destinos da América, da África e da Europa.

O triângulo é visível e se destaca na composição. Suas aberturas representam o desejo de um mundo sem muros, onde abriga outros inúmeros triângulos, dos quais remetem as muitas rotas do atlântico, e da vida. Ele é universal e, através de muitas cores, expressa as múltiplas etnias que nos unem.
 

PROJETO CURATORIAL

Sob o título Triângulo do Atlãntico, a 11ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul tem curadoria de Alfons Hug e Paula Borghi e pretende lançar um olhar sobre o triângulo que, há mais de 500 anos, interliga os destinos da América, da África e da Europa. Reunindo cerca de 70 artistas e coletivos de artistas – além de ações pontuais realizadas em Quilombos localizados nas cidades de Porto Alegre e Pelotas –, a exposição acontece de 06 de abril a 03 de junho de 2018 nos espaços do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Memorial do Rio Grande do Sul, Santander Cultural, Praça da Alfândega e Igreja Nossa Senhora das Dores, no Centro Histórico de Porto Alegre. Tendo como base os referenciais históricos elencados durante a preparação da mostra, o projeto curatorial conta com obras e artistas oriundos dos três continentes que compõe o triângulo atlântico. Ao tornar estes artistas os protagonistas de uma exploração das relações de tensão cultural e da interdependência contextual dentro desta triangulação, a mostra procura, entre outras questões, analisar quais são as forças inovadoras que mobilizam a interação entre América, África e Europa. Dando destaque para a arte africana e afro-brasileira – ambas apresentadas com grande densidade na mostra – Triângulo do Atlântico se interessa pelos pontos de contato que propiciam o encontro entre as culturas indígena, europeia e africana e formam um novo amálgama americano. Oferecendo-se, pois, como uma experiência oportuna de visibilidade, sob a perspectiva artística e cultural, da diáspora (termo que define o deslocamento, normalmente forçado, de grandes massas populacionais originárias de uma zona determinada para várias áreas de acolhimento distintas), a 11ª Bienal do Mercosul almeja também dar ênfase à reflexão sobre o quanto o êxodo do Atlântico Negro alimentou um vigoroso processo de crioulização, que levou a um intenso trânsito de religiões, idiomas, tecnologias, artes e culturas. Além disso, ao apontar que a diversidade cultural dos africanos, composta por centenas de grupos étnicos e línguas, demonstrava-se tão plural quanto a indígena, a exposição busca ainda refletir sobre o fato de que mesmo após uma árdua tentativa de apagamento dessas culturas, fenômenos como o sincretismo e a mestiçagem – ainda que sejam reflexo direto da violência histórica – representam uma forma de resistência e enriquecimento cultural. Sem almejar dar respostas imediatas a questões plurais que se expandem para além dos âmbitos artísticos e culturais, a exposição alinha-se com reflexões dos campos filosóficos, políticos e antropossociais ao considerar que, longe de estar concluído – uma vez que, por meio da imigração, influências de outras culturas têm-se somado a esse processo – o transcurso da fusão do triângulo ainda está longe de ser concluído. Considerando que no campo artístico – como talvez em nenhum outro terreno de reflexão –, diferentes concepções de natureza, tempo e espaço seguem transmudando-se em um sistema altamente dinâmico, a 11ª Bienal do Mercosul aposta que a arte contemporânea, ao apontar conflitos e distúrbios que surgem no choque entre diversas civilizações e camadas sociais, pode se constituir, além de instância de apresentação de expressões e técnicas artísticas inovadoras, também como um poderoso instrumento de reflexão e crítica – capaz, quiçá, de colocar o dedo nas feridas abertas pelo triângulo atlântico.

Alfons Hug

EQUIPE

Curador-chefe 

Alfons Hug 

Curadora adjunta

Paula Borghi

 

ARTISTAS

Curador-chefe 

Alfons Hug 

Curadora adjunta

Paula Borghi

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Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul

Rua General Bento Martins, 24 - Conj. 1201

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